Olá!
Pois é, desapareci mais uma vez, mas é que eu realmente precisava fechar pra balanço e este período em que fiquei fora do blog até rendeu boas ideias, logo mais vocês terão o resultado. Prometo não decepcionar. Hoje, por exemplo, eu trouxe algo que eu já pretendia trazer a bastante tempo, inclusive alguns leitores me cobravam.
Nesse finalzinho de férias da facul resolvi fazer uma visita a minha antiga escola a qual passei três bons anos da minha vida e onde conclui o ensino médio e o curso técnico em informática.
Foi na Etec Pedro Ferreira Alves que guardei muitas de minhas recordações, foram tantas coisas que eu aprendi, tantos amigos que eu fiz e também foi o local que eu causei grandes reformas desde a minha chegada, hehe, foram rampas e tantas outras transformações que eu realmente posso falar que lá eu realmente "causei"! Aliás já tinha causado em algumas escolas anteriormente, mas lá parece que foi mais intenso e, quando digo isso, acho que só vai entender quem participou da minha intensa rotina de troca de salas (dedico essa parte aos meus dedicados colegas de sala), era um tal de sobe e desce, de sair correndo quando o sinal batia, mas o melhor é que sempre tive colegas dispostos a dar aquela ajudinha. Todos os dias eu me sentia a própria Cleópatra com os meninos erguendo minha cadeira pra subir as escadas, com o tempo isso se tornou até uma brincadeira, eles chegavam a me levar até dentro da sala nas alturas enquanto eu gritava: " Me poe no chão!" Bons momentos.
Na ausência do elevador, a escola resolveu tomar providências e no primeiro ano mesmo tiraram algumas fotos minhas e enviaram ao orgão responsável "Centro Paula Souza", pra reforçar ainda mais eu fiz questão de também enviar alguns e-mails com devidas cobranças, acontece que as providências demoraram um tanto a chegar, mas chegaram quando eu já estava no meu último ano, saindo da escola, e posso dizer com total certeza de que este fato de saber que não utilizaria mais de tal benefício jamais me deixou magoada, pelo contrário, era mesmo um motivo pra comemoração, afinal, outras pessoas poderiam utilizar daquele benefício, quantos outros cadeirantes e pessoas com outra necessidade especial chegariam depois de mim. A sensação de abrir caminhos é algo inexplicável e foi maravilhoso ver a empolgação de todo o pessoal da escola com o dinheiro liberado pra reforma, eu realmente me senti parte de algo bastante útil.
Prometi a mim mesma que assim que o elevador estivesse pronto eu iria lá experimentar e assim foi, deu ainda pra aproveitar e matar saudades dos funcionários e até assistir aulas de alguns professores queridos, foi uma manhã bastante proveitosa.
Pra fechar trago aqui alguns registros das reformas e do elevador.
Pra fechar trago aqui alguns registros das reformas e do elevador.
![]() |
| Estou estranha, mas, tudo bem, olhem para o elevador. |
![]() |
O tão esperado! |
![]() |
| Com vista panorâmica, olha que luxo! |
![]() |
| E rampa finalmente coberta!!! Já tomei muita chuva aí. |
Até a próxima!!!
=D
Olá!
Neste fim de de semana estava eu lendo o jornal mogimiriano O Popular, que inclusive pra quem não sabe eu faço parte quinzenalmente com a minha coluna chamada "Encontro de Ideias". Pois bem, mas eu não estou aqui pra falar da minha coluna, estou aqui pra falar de um texto maravilhoso escrito pela querida Vanda Vedovatto, grande jornalista, responsável pelo caderno cultural "Multi Plus" e que ainda possui uma coluna bem interessante chamada "Caro Leitor" a qual sempre gosto de dar uma lida, e neste fim de semana ela escreveu um texto sobre acessibilidade que me deixou bastante impressionada e que faço questão de dividir com vocês, vale muito a pena ler!
Os problemas dos outros
Vanda Vedovatto
Na sétima série, uma professora nos propôs que, naquele dia, ao deixarmos a escola, fizéssemos o trajeto até nossas casas, imaginando que não sabíamos ler. Deveríamos pensar que placas de trânsito, letreiros do comércio e destinos de ônibus nos eram indecifráveis. Este exercício foi uma introdução para a aula seguinte, quando nos foi explicado sobre deficiências físicas, dificuldade de locomoção e a importância de respeitar aqueles que hoje são chamados de portadores de necessidades especiais.
Mas, aos 12 anos não se tem maturidade suficiente para entender as dificuldades dos outros, porque se acredita ser o centro do universo. E a vida segue seu ciclo natural.
Assim, aos 20 anos, a principal preocupação é a carreira profissional que se começa a desenhar. Próximo aos 30 anos, pensa-se em constituir família e buscar o início de uma independência financeira. Aos 40 é a estabilidade econômica que ocupa os pensamentos. E somente lá pelos 50 é que se começa a lembrar da possibilidade de aposentadoria. E só aos 60 é que se vai pensar em envelhecer mesmo.
Não sei se é um sinal de envelhecimento precoce, mas eu pulei duas dessas etapas. Talvez eu esteja me tornando sensível demais. Mas o fato é que com 41 anos tenho pensado muito em coisas que antes não me incomodavam. É natural que sejamos todos um pouco egoístas e evitemos olhar em volta e assim nos sensibilizar com situações tão banais. É o caso da dificuldade de se locomover pela cidade.
Dias atrás, lembrei-me daquela aula lá na sétima série, e caminhei por algumas ruas imaginando desta vez que eu utilizasse uma cadeira de rodas ou um par de muletas ou já estivesse com quase o dobro da idade que tenho. Amigos, é assustador perceber que sem a ajuda de outra pessoa dificilmente se conseguiria transpor as armadilhas que as ruas e calçadas escondem.
Há falhas no calçamento, buracos, trechos em obras onde calçadas inexistem, desníveis, pisos irregulares, escadas, guias rebaixadas inadequadamente e os veículos, cujos motoristas estão sempre com pressa demais, desatentos demais e, claro, insensíveis aos pedestres, esses seres quase invisíveis.
Frisa-se tanto a importância da tal inclusão social de deficientes e idosos, mas na verdade se esquece de algo tão básico, o direito de ir e vir, que vai ficando cada vez mais penoso, para quem possui um problema físico ou está em uma idade avançada. O fato é que os problemas dos outros só nos tocam realmente quando também chega a nossa vez de encará-los.
Tentar se colocar no lugar das outras pessoas é um exercício que todos nós deveríamos fazer vez ou outra para entendê-las, respeitá-las e também fazer eco às suas vozes, para que as queixas cheguem com mais intensidade até quem pode dar-lhes solução. Eu recomendo. Boa semana a todos.






